Você com certeza já ouviu falar de duas espécies diferentes de café: Arábica (Coffea arabica) e Robusta (Coffea canephora). Mas você já ouviu falar de uma outra espécie que tem despertado grande interesse nos últimos anos: o Café Excelsa?
Se não, vem comigo que eu vou te explicar.
Contexto da produção mundial de café
A produção global de café depende quase que exclusivamente de duas espécies:
- Café Arábica – responsável por cerca de 55% da produção mundial.
- Café Robusta – representando os outros 45%.
Nos últimos anos, a cafeicultura tem enfrentado sérios desafios. Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas em algumas regiões produtoras e as geadas no Brasil, afetaram diretamente a produção. O resultado foi o aumento global do preço do café, reforçando a vulnerabilidade da cadeia produtiva frente às mudanças climáticas.
Esse cenário acendeu um alerta: precisamos de novas alternativas que garantam a segurança produtiva e alimentar em um futuro cada vez mais incerto.
A volta de uma espécie esquecida
Na década de 1880, houve grande entusiasmo pelo cultivo de uma espécie pouco conhecida: o Café Libérica (Coffea liberica). Sua expansão, no entanto, não durou muito. O principal motivo foi o sabor peculiar e, sobretudo, a dificuldade de processamento pós-colheita.
O fruto do café Libérica apresenta sementes grandes, com epiderme e mesocarpo mais espessos, o que dificulta o beneficiamento. Mas, apesar disso, essa espécie demonstrava vantagens agronômicas: alta resistência a fatores bióticos e abióticos.
Até pouco tempo atrás, acreditava-se que o Excelsa fosse apenas uma variedade do Libérica. Estudos recentes, porém, confirmaram que estamos diante de uma espécie distinta.
O potencial do Café Excelsa
E é aqui que a história fica interessante. O Café Excelsa (Coffea dewevrei) combina as vantagens do Libérica, mas sem carregar seus principais pontos negativos.
Entre suas características, destacam-se:
- Produtividade elevada, em alguns casos até maior que o Arábica e o Robusta.
- Frutos com amadurecimento mais sincronizado, o que facilita a colheita.
- Sementes e frutos mais próximos do Arábica, com epiderme e mesocarpo mais finos que o Libérica, reduzindo as dificuldades no processamento.
- Resistência parcial já registrada para doenças como ferrugem do café, broca, nematoides e antracnose.
- Maior tolerância à seca do que o Robusta.
- Maior tolerância a baixas temperaturas e possivelmente até a geadas.
Essas características tornam o Excelsa um candidato promissor para programas de melhoramento genético, com foco na resiliência da cafeicultura frente às mudanças climáticas.
O futuro do café pode estar no Excelsa
Ainda há muito a ser pesquisado, mas o Café Excelsa se apresenta como uma alternativa estratégica para garantir a sustentabilidade da produção de café no futuro.
👉 Agora me conta: você já tinha ouvido falar no Café Excelsa?

